Metodologia

Como lemos as pesquisas, e onde paramos de enxergar.

Modelamos cada pesquisa como uma medição do apoio latente mais um viés sistemático do instituto e um erro amostral. O apoio latente segue uma série suave ao longo do tempo, estimada por um filtro de Kalman com suavização. O viés de cada instituto — o house effect — é estimado a partir dos dados, por instituto, sempre. O modelo é cego a quem é quem: não conhece candidato nem espectro, e não corrige direção com base em eleição passada.

A restrição de soma-zero

O sistema tem uma ambiguidade de fundo: somar uma constante a todo o apoio latente e subtraí-la de todos os house effects produz exatamente as mesmas pesquisas. É preciso fixar uma referência, e a escolha dessa referência é uma decisão de método, não um detalhe.

Adotamos a soma ponderada dos house effects igual a 0, com peso igual ao número de pesquisas que cada instituto publicou na janela. Ponderar pelo volume evita que um instituto com uma única rodada ancore o consenso com o mesmo peso de um que publicou doze.

O que isso significa: o apoio latente passa a ser o consenso dos institutos, limpo da composição desigual de quem publicou em cada semana. O que isso não significa: que o consenso seja não-enviesado em relação à urna. Se todos os institutos errarem na mesma direção — como ocorreu no primeiro turno de2022 — o consenso erra junto, e o modelo não tem como saber. Esta limitação não é letra miúda; é o principal ponto cego do método.

Por isso não ancoramos os house effects no erro histórico contra as urnas. Medir viés absoluto seria melhor, mas institutos mudaram de metodologia depois de2022, o erro daquele ciclo foi assimétrico entre candidatos, e corrigir direcionalmente com base no último ciclo é o modo clássico de falha de um agregador. O erro histórico é calculado e exibido como contexto, mas não entra no modelo na versão atual.

A banda de incerteza é a resposta honesta a esse limite: quando o modelo não sabe, a faixa fica larga. Largura honesta é o produto — não um número único fingindo precisão.

Os limites

O que este modelo não faz.

Um instrumento honesto diz onde não enxerga. Esta lista é a mesma da metodologia, sem corte.

  • Não corrige viés que seja comum a todos os institutos
  • Não prevê resultado eleitoral nem probabilidade de vitória
  • Não modela correlação entre candidatos além da restrição de soma
  • Não distingue mudança real de opinião de mudança de metodologia do instituto
  • Não detecta fraude; os indicadores da §6 têm explicações inocentes e são publicados como diagnóstico, não acusação
  • Não pondera institutos por acurácia histórica na v1
  • Não mede transferência de voto: o fluxo entre candidatos é inferido de dado agregado, o que não identifica para onde foi o voto de ninguém — o resultado depende do prior tanto quanto do dado

Quem somos e como parar de ser rastreado

Este projeto extrai números de pesquisas registradas no PesqEle/TSE e os republica como fato, com o registro à vista. Nunca reproduzimos o texto de terceiros; a referência à fonte é sempre um link. Um instituto que peça a remoção de seus dados é atendido, e passamos a exibir aquele instituto como fonte removida a pedido.